
Última atualização: 29 de Dezembro de 2025 | Por: Edmilson Dias, Especialista em Marketing Digital Jurídico.
Ser um perito judicial é uma profissão de grande responsabilidade. Você não é um simples prestador de serviço; você é um auxiliar da justiça, nomeado pelo juiz para fornecer análise técnica imparcial que ajudará o magistrado a tomar uma decisão justa. Com essa posição privilegiada vêm direitos e deveres bem definidos que você precisa conhecer e respeitar.
Compreender seus direitos garante que você seja tratado com justiça e receba remuneração adequada. Compreender seus deveres garante que você atue de forma ética, profissional e em conformidade com a lei. Ignorar qualquer um desses aspectos pode prejudicar sua carreira, resultar em sanções administrativas ou até responsabilidade criminal.
Neste guia completo, vamos explorar detalhadamente seus direitos como perito, seus deveres profissionais e as responsabilidades que você assume ao aceitar uma nomeação. Se você está começando sua carreira e quer construir uma base sólida de conhecimento sobre esses temas, comece com uma formação de qualidade. Consulte nosso Guia Comparativo do Melhor Curso de Perito Judicial para encontrar cursos que abordem direitos e deveres com profundidade.
Seus Direitos Como Perito Judicial
1. Direito a Honorários Justos e Adequados
Este é talvez seu direito mais importante. Você tem direito a receber honorários justos pelo seu trabalho, arbitrados pelo juiz com base na complexidade, no tempo estimado e no valor da causa.
O que a lei diz:
•Artigo 465 do CPC: Você tem 5 dias para propor seus honorários
•Artigo 465, § 1º: O juiz arbitra os honorários considerando a complexidade, o tempo estimado e o valor da causa
•Artigo 465, § 3º: As partes podem se manifestar sobre sua proposta
Seus direitos específicos:
•Direito de propor honorários que reflitam o valor real do seu trabalho
•Direito de receber os honorários arbitrados pelo juiz
•Direito de cobrar judicialmente se os honorários não forem pagos
•Direito de não trabalhar se os honorários forem manifestamente inadequados (você pode se escusar)
Na prática: Pesquise os valores de mercado para sua especialidade e tipo de perícia. Proponha honorários realistas e fundamentados. Se o juiz arbitrar um valor muito baixo, você pode apresentar uma contraproposta ou se escusar da nomeação.
2. Direito de Se Escusar da Nomeação
Você tem direito de recusar uma nomeação se houver motivo legítimo.
O que a lei diz:
•Artigo 157, § 1º do CPC: O perito pode se escusar da nomeação
•Artigo 157, § 2º do CPC: A escusa deve ser apresentada em até 15 dias da nomeação
•Artigo 157, § 3º do CPC: Se não se escusar no prazo, renuncia ao direito
Motivos legítimos para escusa:
•Impedimento legal (parentesco, vínculo comercial, etc.)
•Suspeição (dúvida sobre imparcialidade)
•Excesso de trabalho
•Falta de competência na área específica
•Conflito de interesse
•Razões de saúde ou pessoais graves
Na prática: Se você identifica um motivo legítimo para se escusar, apresente uma petição ao juiz no prazo de 15 dias, fundamentando claramente o motivo. Não comece o trabalho enquanto aguarda a resposta.
3. Direito a Informações e Documentos Necessários
Você tem direito de solicitar ao juiz todas as informações e documentos necessários para realizar a perícia adequadamente.
O que a lei diz:
•Artigo 156, § 1º do CPC: O juiz pode determinar que as partes forneçam informações e documentos
•Artigo 474 do CPC: O juiz fixa o prazo para entrega do laudo
Seus direitos específicos:
•Direito de acessar todos os autos do processo
•Direito de solicitar documentos específicos das partes
•Direito de fazer diligências necessárias
•Direito de solicitar esclarecimentos sobre os quesitos
Na prática: Identifique claramente quais informações e documentos você precisa. Solicite ao juiz que ordene às partes que forneçam. Não comece a trabalhar sem as informações essenciais.
4. Direito a Prazos Razoáveis
Você tem direito a prazos razoáveis para realizar a perícia e elaborar o laudo.
O que a lei diz:
•Artigo 474 do CPC: O juiz fixa o prazo para entrega do laudo
•Artigo 157, § 1º do CPC: O perito deve cumprir o ofício no prazo designado pelo juiz
Seus direitos específicos:
•Direito de solicitar prorrogação do prazo se necessário
•Direito de informar ao juiz se o prazo é insuficiente
•Direito de não ser punido por atrasos causados por circunstâncias fora de seu controle
Na prática: Se o juiz fixar um prazo que você considere insuficiente, solicite uma prorrogação, apresentando justificativa fundamentada. O juiz pode aceitar ou rejeitar seu pedido, mas é importante comunicar.
5. Direito a Proteção Legal e Profissional
Você tem direito a proteção legal como auxiliar da justiça e direito a ser tratado com respeito profissional.
O que a lei diz:
•Artigo 156 do CPC: O perito é um auxiliar da justiça
•Resolução 233 do CNJ: Estabelece proteções para peritos
Seus direitos específicos:
•Direito de não sofrer pressão ou ameaças das partes
•Direito de denunciar tentativas de coação ou suborno
•Direito de ser protegido pelo juiz se sofrer pressão
•Direito a privacidade profissional
Na prática: Se uma das partes tentar pressionar você, influenciar sua análise ou oferecer benefícios, recuse e informe ao juiz imediatamente. Você está protegido pela lei.

Seus Deveres Como Perito Judicial
1. Dever de Imparcialidade Absoluta
Este é seu dever mais fundamental. Você deve atuar de forma completamente imparcial, sem favorecer nenhuma das partes.
O que significa:
•Não ter preferência por nenhuma das partes
•Basear sua análise exclusivamente em fatos técnicos
•Não ser influenciado por pressões externas
•Responder aos quesitos de forma técnica, sem viés
Consequências de violação:
•Seu laudo pode ser anulado
•Você pode ser excluído do cadastro de peritos
•Você pode sofrer sanções disciplinares
•Você pode ter responsabilidade criminal em casos graves
Na prática: Mantenha distância profissional de ambas as partes. Não aceite presentes, convites ou benefícios. Comunique-se apenas com o juiz sobre questões processuais.
2. Dever de Cumprir os Prazos
Você tem o dever de cumprir rigorosamente todos os prazos estabelecidos pelo juiz.
Prazos principais:
•5 dias para propor honorários
•15 dias para se escusar (se houver motivo)
•Prazo fixado pelo juiz para entrega do laudo (geralmente 30-60 dias)
•Prazo fixado pelo juiz para esclarecimentos (geralmente 10-15 dias)
Consequências de atraso:
•Sanções administrativas
•Exclusão do cadastro de peritos
•Dano à sua reputação profissional
•Possível responsabilidade civil
Na prática: Organize seu calendário para cumprir todos os prazos. Se previr que não conseguirá cumprir, solicite prorrogação antes do prazo expirar, não depois.
3. Dever de Diligência e Competência Técnica
Você tem o dever de empregar toda sua diligência e conhecimento técnico na realização da perícia.
O que significa:
•Realizar análise técnica completa e minuciosa
•Usar metodologias reconhecidas e aceitas
•Não aceitar nomeações em áreas fora de sua competência
•Manter-se atualizado com desenvolvimentos em sua área
Consequências de violação:
•Seu laudo pode ser impugnado
•Você pode ser substituído
•Dano à sua reputação
•Possível responsabilidade civil
Na prática: Recuse nomeações em áreas nas quais você não tem competência adequada. Invista em formação contínua. Realize análises completas e minuciosas.
4. Dever de Sigilo Profissional
Você tem o dever absoluto de manter sigilo sobre todas as informações do processo.
O que é protegido:
•Informações sobre as partes
•Fatos analisados durante a perícia
•Conclusões preliminares
•Comunicações com o juiz ou as partes
•Documentos do processo
Duração do sigilo:
•Permanente: O sigilo não expira. Mesmo após o encerramento do processo, você deve manter sigilo.
Consequências de violação:
•Responsabilidade criminal (crime de violação de sigilo profissional)
•Exclusão do cadastro de peritos
•Sanções disciplinares
•Responsabilidade civil por danos
Na prática: Não comente sobre seus casos com ninguém, nem mesmo com colegas. Não compartilhe informações em redes sociais. Proteja documentos do processo. Mantenha sigilo mesmo após anos do encerramento do processo.
5. Dever de Honestidade e Transparência
Você tem o dever de ser honesto e transparente em todas as suas atuações.
O que significa:
•Declarar claramente os métodos utilizados
•Indicar as limitações da análise
•Não omitir informações que contradizem suas conclusões
•Ser honesto sobre tempo e esforço necessários
•Não falsificar dados ou análises
Consequências de violação:
•Responsabilidade criminal (falsa perícia)
•Exclusão do cadastro
•Sanções disciplinares graves
•Responsabilidade civil
Na prática: Se descobrir informações que contradizem suas conclusões preliminares, inclua-as no laudo. Se encontrar limitações na análise, declare-as claramente. Seja honesto sobre os métodos utilizados.
6. Dever de Responder aos Quesitos
Você tem o dever de responder a TODOS os quesitos apresentados pelo juiz e pelas partes.
O que a lei diz:
•Artigo 473, § 1º do CPC: O laudo deve conter resposta conclusiva a todos os quesitos
Exceções:
•Quesito prejudicado (sem condições de responder por razão técnica)
•Quesito impertinente (fora do escopo da perícia)
•Quesito que exige opinião jurídica (proibido)
Consequências de violação:
•Seu laudo pode ser impugnado
•Você pode ser solicitado a fornecer esclarecimentos
•Possível substituição
Na prática: Responda a todos os quesitos. Se não conseguir responder a algum, declare-o prejudicado ou impertinente, fundamentando claramente.
Responsabilidades do Perito Judicial
Além de direitos e deveres, você assume responsabilidades legais ao aceitar uma nomeação.
Responsabilidade Civil
Você responde civilmente por prejuízos que cause às partes por dolo (intenção) ou culpa (negligência).
Exemplos:
•Análise negligente que prejudica uma das partes
•Atraso injustificado que causa danos processuais
•Violação de sigilo que prejudica uma parte
Consequência:
•Condenação a indenizar a parte prejudicada
Responsabilidade Criminal
Você responde criminalmente por crimes específicos relacionados à perícia.
Crimes possíveis:
•Falsa perícia (Art. 342 do Código Penal): Apresentar informações falsas ou enganosas. Pena: 1 a 4 anos de prisão.
•Violação de sigilo profissional (Art. 154 do Código Penal): Revelar informações confidenciais. Pena: 3 meses a 1 ano de prisão.
•Corrupção passiva (Art. 317 do Código Penal): Aceitar benefício para favorecer uma parte. Pena: 2 a 12 anos de prisão.
Responsabilidade Administrativa
Você responde administrativamente perante o tribunal e a Resolução 233 do CNJ.
Sanções possíveis:
•Advertência
•Exclusão do cadastro de peritos
•Proibição temporária de atuar
•Relatório ao conselho de classe profissional
Tabela Resumida: Direitos vs. Deveres
| Aspecto | Direito | Dever |
| Remuneração | Receber honorários justos | Trabalhar com diligência |
| Nomeação | Recusar por motivo legítimo | Cumprir a nomeação se aceitar |
| Informações | Solicitar documentos necessários | Manter sigilo absoluto |
| Prazos | Solicitar prorrogação | Cumprir rigorosamente |
| Imparcialidade | Ser protegido de pressões | Atuar sem viés |
| Laudo | Responder aos quesitos | Responder a TODOS os quesitos |
Conclusão: Equilíbrio entre Direitos e Deveres
Ser um perito judicial é um privilégio que vem com responsabilidades. Seus direitos protegem você e garantem que seja tratado com justiça. Seus deveres garantem que você atue de forma ética e profissional, contribuindo para a realização da justiça.
O sucesso como perito depende de manter esse equilíbrio: exercer seus direitos de forma responsável e cumprir seus deveres com excelência. Peritos que entendem e respeitam esse equilíbrio constroem carreiras sólidas, respeitadas e duradouras.
Se você está começando sua carreira e quer construir uma base sólida de conhecimento, comece com uma formação de qualidade que aborde direitos, deveres e responsabilidades com profundidade. Consulte nosso Guia Comparativo do Melhor Curso de Perito Judicial para encontrar a formação ideal.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre Direitos e Deveres do Perito
Posso cobrar uma taxa adicional se o trabalho levar mais tempo do que estimado?
Não automaticamente. Você propôs honorários com base em uma estimativa. Se o trabalho levar mais tempo, você absorve a diferença. No entanto, se surgirem diligências adicionais não previstas ou se o escopo mudar significativamente, você pode solicitar revisão dos honorários ao juiz. A decisão final é do juiz.
O que fazer se uma das partes tentar me pressionar ou oferecer benefícios?
Recuse qualquer pressão ou benefício. Informe ao juiz imediatamente sobre a tentativa. Você está protegido pela lei. Aceitar benefícios é crime de corrupção passiva e pode resultar em prisão.
Posso conversar com um advogado sobre o caso antes de entregar o laudo?
Não. Qualquer comunicação com advogados ou partes sobre o conteúdo da perícia é uma violação ética e legal. Você pode conversar com o juiz se tiver dúvidas sobre os quesitos, mas comunicação com as partes deve ser evitada.
Quanto tempo devo manter o sigilo sobre um caso?
O sigilo é permanente. Mesmo após o encerramento do processo, mesmo após anos, você deve manter sigilo sobre as informações que obteve. O sigilo profissional não expira com o tempo.
Posso ser responsabilizado criminalmente por um erro honesto no laudo?
Não, se o erro for honesto e resultante de análise técnica inadequada. No entanto, se o erro for doloso (intencional) ou se você apresentar informações sabidamente falsas, você pode ser responsabilizado criminalmente por falsa perícia.
Quem paga meus honorários se o processo terminar sem condenação?
Geralmente, a parte vencida (sucumbente) paga os honorários do perito. Se não houver vencido (processo encerrado por acordo, por exemplo), o juiz pode determinar que as partes dividam os honorários ou que o Estado os pague.
Explore Mais
•Quer conhecer os melhores cursos para se tornar um perito? Consulte nosso Guia Comparativo do Melhor Curso de Perito Judicial para escolher uma formação que aborde direitos e deveres com profundidade.
•Entenda a legislação completa: Legislação de Perícia Judicial: Resolução CNJ e CPC Explicados
•Conheça o código de ética: Código de Ética do Perito Judicial: Princípios e Responsabilidades
•Aprenda sobre impedimento e suspeição: Impedimento e Suspeição do Perito: Quando Não Pode Atuar
ACESSO EXCLUSIVO